[COLUNA DE FÉRIAS] Voadeira

Não queria nascer, me arrancaram pra fora, pro mundo.
Gostei!
Mas, às vezes, me dá um medo…
Paro e prefiro esperar um pouco
Às vezes as coisas me assustam
Sinto-me tão fraca e frágil, como uma pequena borboleta
Borboleta daquelas que qualquer um pode esmagar com os dedos
Alguém uma vez me disse:
‘Mas borboletas não se esmagam!
Borboletas a gente gosta de ver voando’
Quem sabe assim sou eu, voadeira, flutuante
E, na tremulante realidade em que habito, me refaço enquanto voo
Já tive meus tempos de lagarta
Fechada, embrulhada, amarrada no véu da tristeza
Até que a luz do Deus que governa o mundo resolveu arrebentar o meu casulo
Desde então alcei voo
E nos balanços de minha existência
Na hora desses medos palpitantes
Lembro-me de quem me libertou e sigo voando.

KARINA MÜLLER RUFINO


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