[Quarta poética] resistência – Vicente Blood

Resistência

Sigo seguindo na resistência combatendo a intolerância

Muitas vezes fingindo demência pra sobreviver a tanta

ignorância

Neste mundo de violência empurrado desde a infância

Imprescindível manter paciência, coerência na militância

Cega ganância, extravagância só fortalecem essa indecência

Não dar importância, aumenta a distância e multiplica a violência

Da nojo de ver, quem tá no poder hipocritamente pedindo clemência

Fingindo fazer, só para aparecer mesmo sem ser uma referência

Para os pares preferência, partilha da abundância

E tamanha a incongruência, que chega a me dar ânsia

Exigindo obediência, exalando pura arrogância

Se apóiam na influência, decadência com elegancia ahhhhhhh

Não pise na minha calçada

Não pise na minha garganta

Não tenho respeito pela sua farda

Mas pra mim isso não adianta

Não consigo respirar oito minutos de pura agonia

Não podemos nos calar , pois o massacre tem cor e etnia

Pra dama primeira fiança é lucro

Mas para a criança o final foi cruel

Pequeno anjo preto de Pernambuco

Descanse em paz menino Miguel

Dobro o joelho para orar, também o faço para protestar

Nossas vidas sim importam, então parem de nos matar

Penso, logo existo e nesse compromisso insisto

Diariamente me revisto e é por isso que resisto.

(Vicente Blood)

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