{Ei, olha aqui} – Dia da visibilidade Trans – A luta, a resistência e a voz – Repost

Janeiro foi o mês da visibilidade Trans, um mês que marca a luta, a resistência e sobretudo,a voz e os direitos de trangêneros, transexuais e travestis. Por isso, nós do Faroeste, nos pintamos de Azul, Rosa e branco para celebrarmos essa data que precisa ser vivida diariamente.

Ser diferente daquilo que as pessoas consideram normal, ainda é muito difícil. Apesar da comunidade T já ter conquistado alguns direitos importantes, ainda há muito pela frente.

Em conversa com a nossa equipe,no dia 29 de janeiro (dia da visibilidade trans) Fernando Oliveira, ressaltou a importância das oportunidades à essas pessoas, da falta de conhecimento da sociedade e também, do seu lugar de fala:

“Hoje é o dia da visibilidade trans , não só hoje, mas todos os dias. A gente que é trans e muitas pessoas que não são, sabem a luta e o perrengue que a gente passa no dia-a-dia. O preconceito, a falta de respeito , a falta de conhecimento das pessoas em relação a isso.
Eu também acho muito importante a gente ter lugar de fala, então assim, vamos buscar o que é nosso, vamos lutar… Ser trans é resistência, força, coragem, luta de enfrentar a todos.
Eu quero que esse ano muitas pessoas deem oportunidade tanto para homens, quanto para mulheres trans. Eu acho muito importante a gente falar disso, porque eu tive muitas noticias de pessoas sofrendo preconceito, entrando na prostituição por conta de não ter esse retorno (…)
Hoje eu sou reconhecido um homem trans, graças a Deus hoje eu encontrei a Leandra, que é minha mulher, minha futura esposa, também uma mulher trans, nunca imaginei que poderia me relacionar com alguém assim
E olha pra você ver, eu tenho muito orgulho disso e é isso cara, vamos viver, vamos enfrentar tudo , o mundo é nosso, vamos lutar… Eu só tenho que agradecer por a gente ter saúde, por chegar e falar, ser identificado “eu me chamo Fernando”, porque quantas pessoas eu vi morrerem lutando, lutando igual a gente tá aqui no dia a dia, quantas pessoas não morreram para que houvesse essa lei, houvesse respeito, para que as pessoas respeitassem a nossa identidade de gênero e é isso, vamos viver, o mundo é nosso”.

Kaito Felipe, em seu relato, ressalta as problemáticas existentes dentro e fora da comunidade trans:

“Eu vejo um problema enorme dentro e fora da comunidade Trans, ainda que sendo no caso das pessoas Trans é de certa forma entendível. Veja bem, nós nascemos e no decorrer de nosso crescimento e aprendizagem no âmbito escolar, abrimos diversos livros e nenhum deles fala de nossa existência, se falarmos de livros de história colegial não tem nada sobre “índios Trans” e muita gente acredita que a sociedade moderna que nos inventou.
Você pensou que eu iria inicialmente falar sobre o livro de biologia né? E entramos em mais um problema, por qual razão associar sempre a transexualidade e transgeneridade somente como algo corporal ao invés de lembrarmos que existe por trás toda uma vida social envolvida? Isso continua acontecendo até hoje, lembram constantemente que nós podemos querer fazer intervenções cirúrgicas e hormonais como se fosse algo exclusivo de uma pessoa Trans, mas esquecem que nosso mental fica abalado pela falta de respeito da sociedade, não temos trabalho, não temos dinheiro, não temos as vezes até o que comer e quando temos, podemos até mesmo acreditar num pouquinho de sorte e quando não é sorte a pessoa teve privilégios que em grande maioria essa minoria infelizmente não tem, daí chegamos em grandes ativistas que mostram uma realidade em muitos casos irreal e que muitos nunca viram nem mesmo um ponto de prostituição, não sabem o trabalho de ajuda de ONGs e não sabem nem mesmo de onde saiu o trabalho envolvido por trás de toda uma criação das propostas de leis, para só então eles conseguirem de forma legal a autorização para fazerem o que gostariam e o pior disto tudo é que depois de todo esse trabalho, ainda falamos sobre transexualidade e transgeneridade como “a pessoa que tem problema com o corpo e nasceu errado” ou “a pessoa disfórica”, e isso escutamos ainda hoje até na comunidade Trans e logicamente fora dela, somos invisíveis desde o início de nossa infância e a maioria não está preparada para sair da ideia de ser uma pessoa disfórica. Quando criança escutamos “homem tem pênis”, “homem não tem peito”, “homem usa pronome masculino”, “homem não chora” e mais uma infinidade de questões sem sentido, uma grande lavagem cerebral.
Entendível o motivo de muitos não conseguirem sair dessa bolha de que o Trans real é só a pessoa disfórica, achando que os problemas de depressão ou suicídio vem só por questões físicas, ignorando toda uma falta de entendimento de nossa própria existência no mundo por conta desta lavagem cerebral e pela falta de oportunidade que nos deixariam loucos.
Existimos desde sempre na história, só falta querermos contar ela ao mundo sem nos auto-excluirmos como fomos ensinados.”

No dia 29 de janeiro de 2004, lideranças do movimento pelos direitos de pessoas trans se reuniram no Congresso Nacional, em Brasília, para lançar a campanha “Travesti e Respeito”. Promovida em parceria com o Ministério da Saúde, e a partir daí foram assegurados alguns direitos à essa população, mas que infelizmente ainda sofrem dificuldades para acessá-los.

Direitos que a legislação brasileira garante:

Decreto nº 8.727:

Cirurgia de redesignação sexual para homens e mulheres trans pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Alteração na idade para realização de cirurgia, reduzida dos 21 para os 18 anos.

Terapias hormonais a partir dos 16 anos.

E você sabia que na área da literatura, nós temos autores trans incríveis como Charlie Jane, ganhadora do Prêmio Nebula, Caitlín R. Kiernan, Meredith Russo, João W. Nery entre outros. Autores dos mais variados gêneros, desde autobiografia até horror, mistério e fantasia, vale muito a pena conferir!!!

E nós queremos saber, você é ou conhece algum(a) escritor(a) trans? Deixe aqui em baixo o seu comentário que nós vamos amar divulgar por aqui.
E vamos juntos construir um amanhã com ainda mais histórias… ❤

 

Estas são as pessoas que tornaram essa publicação, tomando a frente em seu lugar de fala:

Kaito Felipe.            Fernando Oliveira

Inicio da descrição: Retrato de baixo para cima. Rapaz jovem posa com uma mão próxima ao rosto, veste camiseta branca e boné bege para trás. Tem uma tatuagem no antebraço, brinco na orelha e cabelos bem curtos. Fim da descrição.
Inicio da descrição: Selfie de rapaz branco, jovem, cabelos e olhos castanho-escuros e barba por fazer. Usa camiseta preta estampada e tem, aninhado sobre seu ombro, um filhote de gato amarelo. Fim da descrição.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fontes:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/decreto/d8727.htm

5 autores trans para entrar na sua lista de leitura

http://www.mulheres.ba.gov.br/2020/01/2713/Dia-Nacional-da-Visibilidade-Trans-entenda-quais-os-direitos-que-a-legislacao-brasileira-garante-a-travestis-e-pessoas-transgenero.html?fbclid=IwAR2I62zxaNAdRJnhgZHtmCnNpmHzct6FpcYKJL3BRqsKsJNw-zUFKa2-S5I#:~:text=Desde%20abril%20de%202016%2C%20o,direito%20em%20estados%20e%20munic%C3%ADpios

 

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