{Diversidade literária} – Analise: Bom dia Camaradas Ondijaki – Marivalda Paticcie

Olá, Camarada Leitor Brasileiro!

Hoje a abordagem, é sobre a publicação do romance Bom dia Camaradas, do jovem escritor angolano Ondijaki.

Essa abordagem torna – se uma ótima oportunidade, para retornarmos um contato, extremamente proveitoso que houve um dia:  A ligação com a literatura africana de língua portuguesa.

Continente que abriga a origem de boa parte da nossa rica bagagem cultural.

Então…

Não é novidade que os escritos ditos ” regionalistas” brasileiros, influnenciaram profundamente as gerações que iriam fundar as modernas literaturas nacionais 

africanas, particularmente as de Angola e Cabo Verde.

Mas aos poucos sabem que, fugindo à censura da ditadura Salazarista, alguns acabaram publicando obras suas no Brasil como os angolanos:

Manoel dos Santos Lima e Castro Soromenho, ou por aqui se refugiaram, como Luis Romano, um dos fundadores da literatura cabo verdiana em crioulo.

OndjaKi, que significa, na língua nacional  umbundu, ” guerreiro”, embora nascido em 1977, já tinha construída uma sólida carreira literária.

Bom dia Camaradas é sua primeira investida na prosa de ficção.

A marca que assinala e diferencia a literatura de Ondijaki, e que

 encontra – se caracteristicamente neste belíssimo Bom dia Camaradas o lirismo.

Um lirismo que envolve tudo – mesmo os momentos de maior apreensão e incerteza – no véu da poesia , que uns pode parecer ingenuidade, mas que com certeza é utopia  – essa idéia vaga e abstrata que modifica o mundo.

Não raro percebe – se nesse lirismo ressoar um curioso diálogo com a literatura brasileira.

OndjaKi nos traz, um convincente relato dos anos  fundamentais de mudanças e esperanças. A visão realista e pragmática de uma classe média, que tenta se erguer no meio do caos.

Um menino não nomeado, vivendo numa Angola dos finais dos anos1980, ainda sob os eflúvios da Guerra Fria – os cubanos , que lá chegaram em 1975, permanecendo até 1991, são os importantes personagens desse romance.

A história em si, é aparentemente banal. O menino relata seu dia à dia de coisas desimportantes  – como, por exemplo que seus professores cubanos se espantavam com o fato de os alunos possuírem calculadoras eletrônicas e relógios e a ânsia com que se regalavam com a fartura de comida; ou o temor provocado pelo Caixão Vazio, uma lenda urbana da infância; ou ainda os preparativos para um 1 de Maio nacionalista e auto referente…

No entanto, como toda boa literatura, não é o que se conta o que importa, mas o como se conta: e aqui estamos em mãos seguras.

OndjaKi consegue nesta obra, manter viva a narrativa através do narrador menino, sem que isso, soe artificial ou forçado.

OndjaKi também nos trás, um magnífico desvio de português  – padrão, pensado e escrito em português de de Angola.

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