{Andei pensando} – Resenha Crônicas da Quase Noite por Jay Kristoff – Bia Fernandez

­Os livros que amamos nos amam de volta. E assim como nós marcamos a nossa posição nas páginas, as páginas deixam marcas em nós.

 

Oi, leitores do meu coração! Como essas palavras lhes encontram?
Espero que bem, suportando da melhor maneira essa fase complicada que estamos enfrentando no país e no mundo.
Eu sei que a nossa coluna Andei Pensando é voltada para nos fazer refletir, pensar, meditar sobre a vida, o universo e tudo mais. E diga-me, o que é melhor para nos causar isso do que um bom livro?
Nas últimas publicações eu trouxe até mesmo uma das minhas histórias, mas dessa vez vim falar sobre histórias divinamente contadas por um autor que descobri por acaso, chamado Jay Kristoff.
Ele é autor da trilogia Crônicas da Quase Noite, que conta a história de Mia Corvere em seu caminho de sombras e vingança contra os assassinos de sua família.
Vou discorrer um bocadinho sobre as obras, suas nuances e o que ando pensando sobre elas. Vem comigo?

Quem é jay kristoff?

Primeiramente, é importante falar um pouquinho sobre a mente genial por trás dos volumes de Crônicas da Quase noite. Jay Kristoff nasceu em Perth, Austrália, no ano de 1973. Vive nos dias atuais em Melbourne, com sua esposa e um Jack Russell terrier nomeado Samwise.
Quando criança, lia com frequência e jogava jogos de mesa que estimulavam a imaginação, como masmorras e dragões. Formou-se na universidade de artes e trabalhou durante onze anos com publicidade criativa na televisão antes de iniciar sua carreira literária. E ainda bem que o fez! Não sei ainda quanto a suas outras obras, mas sua escrita nessa trilogia é simplesmente fantástica. E, aproveitando o gancho, vamos falar sobre os livros!

Sombra do Corvo

Início da descrição: Capa do livro "Nevernight - A sombra do corvo", de Jay Kristoff. Uma mulher usando roupa negra (calça social e blusa de manga 3/4 bufantes, com espartilho e gola alta) segura uma adaga ensanguentada em frente ao peito, com as mãos enluvadas também ensanguentadas. Seu cabelo e liso, comprido e negro,com franja, e seu rosto está pintado de branco e dourado. Os olhos e os lábios são totalmente negros. Ao fundo, uma parede branca com ornamentos em alto relevo e a grande sombra de uma criatura alada.. Fim da descrição

 

SINOPSE:
Há histórias sobre Mia Corvere, nem todas verdadeiras. Alguns a chamam de Moça Branca. Ou a Faz-Rei. Ou o Corvo. A matadora de matadores. Mas, uma coisa é certa, você deveria temê-la.
Quando ela era criança, Darius Corvere (seu pai) foi acusado de insurreição contra a República de Itreya.
Mia estava presente quando o carrasco puxou a alavanca, viu o rosto do pai se arroxeando e seus pés dançando à procura do chão, enquanto os cidadãos de Godsgrave gritavam “traidor, traidor, traidor”.
No mesmo dia, viu a mãe e o irmão caçula serem presos em nome de Aa, o Deus da Luz. E, embora os três sóis daquela terra não permitam que anoiteça por completo, uma escuridão digna de trevas tomou conta da menina. As sombras nunca mais a largaram.
Mia, agora com dezesseis anos, não se esqueceu daqueles que destruíram sua família. Deseja tirar a vida de todos eles. É por isso que ela quer se tornar uma serva da Igreja Vermelha, o mais mortal rebanho de assassinos de toda a República.
O treinamento será árduo. Os professores não terão misericórdia. Não há espaço para amor ou amizade. Seus colegas e as provas poderão matá-la. Mas, se sobreviver até a iniciação,
se for escolhida por Nossa Senhora do Bendito Assassinato.
O maior massacre do qual se terá notícia poderá acontecer. Mia vai se vingar!

Deparei-me com este livro por acaso. Uma amiga me enviou algumas indicações, e esta trilogia estava dentre elas.
Crônicas da quase noite logo me pareceu um título promissor, e comecei a devorar o volume 1 imediatamente.
Fazia tempo desde que uma história me prendera de verdade, ao ponto de me impressionar. E foi exatamente isso o que aconteceu com A Sombra do Corvo.
De repente eu estava jogada em meio a linhas intrincadas, envolventes, cheias de uma fantasia extremamente bem construída, que transcorre em um mundo com três sóis onde a noite profunda é uma raridade. Daí o nome “quase noite”, a propósito.

­ Entre as morosas jornadas dos três sóis, os cidadãos de Itreya apenas conhecem a noite propriamente dita, que chamam de veratreva, por uma breve temporada a cada dois anos e meio.

Contudo, apesar de se enquadrar no gênero literatura fantástica, existe algo cruelmente real na forma como Jay desenvolve os fatos.

E se a realidade desagradável do sangue derramado revira seus estômagos, estejam cientes desde já que as páginas em suas mãos falam de uma garota que está para o assassinato assim como o maestro está para a música.
Que fez com os finais felizes o mesmo que uma serra faz com a pele.

Esse quê nos toca, atinge fundo. A realidade da vida e da morte é tão notável que podemos sentir o gosto na língua, apalpá-la com as pontas dos dedos à medida que viramos as páginas, sejam estas físicas ou digitais.
A desolação de uma garotinha inocente que viu seu pai, seu herói, ser morto em público sem entender nada sobre as razões por trás daquilo comove qualquer um.
E, ao mesmo tempo, nos faz pensar nas milhares de crianças pelo mundo a fora que já tiveram de enfrentar a mesma situação, sem destaque nenhum para seus corações despedaçados.

A pequena Mia também foi separada de sua mãe e irmão, humilhada e ameaçada de morte.
Eles destruíram tudo o que ela tinha, deixaram um vazio em seu interior que foi preenchido unicamente pelas sombras. Elas surgiram na forma de um algo sem nome que apareceu para salvá-la minutos antes de sua execução.

em vez de gemer ou desabar como faria outra menina de dez anos, a jovem Mia agarrou o punhal que fisgara na escuridão e o enfiou direto no olho do matador de cães.

O homem berrou e caiu para trás, sangue jorrando por entre os dedos. Mia rolou para fora do barril, para o brilho insuportável do sol depois da escuridão do lado de dentro.
Ela sentiu aquele algo vir até ela, recolhido na sua sombra, empurrando-lhe os calcanhares.

O dito algo é uma espécie de criatura demoníaca que se torna parte da sombra de Mia, seu melhor e único amigo.
Ela passa a chamá-lo de Senhor Simpático, e ele assume a forma de um gato translúcido para fazê-la lembrar de capitão Pocinhas, seu bichinho de estimação que aliás, é morto de um jeito muito cruel pelo justicus Remus.
Confesso que fiquei muito aflita lendo a passagem a seguir:

Assim, quando o justicus Remus abaixou-se para agarrar o pulso da menina por ordem do cônsul, o Capitão Pocinhas arreganhou os dentes amarelos, estendeu a pata cheia de garras, e rasgou o rosto do justicus do olho até o lábio.
Aos urros, o grandalhão pegou a cabeça do bravo Capitão com uma mão, os ombros com a outra, e com uma facilidade quase ensaiada, torceu.
O som foi como o partir de gravetos molhados, alto demais para ser sufocado pelo grito de Mia. E no fim daqueles terríveis estalos, uma forma negra pendia imóvel da mão do justicus;
uma forma cálida, tenra e ronronante que dormira ao lado de Mia toda quasinoite, e que agora não ronronava mais.

Dá uma dorzinha no coração, não é? Sobretudo porque eu mesma tenho quatro gatinhos e os imaginei sendo assassinados desta forma… Que horror!

Enfim, depois de tais acontecimentos não é de se estranhar que Mia se torne alguém abalado emocionalmente, e seja tomada de raiva e ressentimento pelos executores de seu pai.
Incapaz de sobreviver nas ruas, Mia é encontrada e cuidada por um antigo assassino da igreja vermelha, o rabugento e velho Mercurio.

Vale ressaltar que todas essas informações são mostradas de forma detalhada somente no decorrer da trama, já que a abordagem do autor não é corrida como comummente vemos.
Os nuances da vida da Faz Rei não são dispostos em uma ordem cronológica bem definida nas páginas.
Kristoff se utiliza de lembranças e paralelos entre um fato e outro para nos apresentar a história. Ela vem de bocadinho e bocadinho, tal qual iguaria que é devidamente saboreada. Isso me encanta!
Além disso, ele vai colocando notas de roda pé com explicações sobre o mundo, fatos históricos e figuras relevantes, nos deixando ainda mais mergulhados no cenário.

Mia desenvolve seu desejo de vingança, o utiliza como sustentáculo. Treina e se especializa para tornar-se serva da mãe negra, nossa senhora do bendito assassinato.
Durante sua árdua jornada até a localização secreta da escola conhece Tric, e eles vivem uma relação de amizade e atração bem instigante durante A Sombra do Corvo.
Outras personalidades também nos são apresentadas ao decorrer da trama, como os irmãos Ashlinn e Osrik Järnheim, filhos de um ex servo da igreja vermelha; Jessamine, filha de Marcinus Gratianus, e que nutre um profundo ódio de Mia por razões de sangue e morte; E Carlota, uma ex escrava.
Todos são únicos, com gênios distintos e perfis bem definidos. É fácil nos imaginar convivendo com eles, dando risada dos comentários sarcásticos de Ashlinn ou se irritando com a implicância da ruiva com olhos de caçadora, Jess.

Porém, não se esqueça, essa é uma história de sangue, e não um livrinho fofo de aventuras estudantis.
As vezes nos perdemos em meio ao dia-a-dia e de repente Jay faz questão de nos lembrar o que estamos lendo.
A morte está sempre a espreita, como uma serpente pronta para dar o bote. E ela dá! Quando menos esperamos algum personagem a quem nos havíamos apegado morre.

Em A Sombra do Corvo ninguém é insubstituível, e essa é a melhor e a pior parte!

Espetáculo Sangrento

Início da descrição: Capa do livro "Godsgrave - O espetáculo sangrento", de Jay Kristoff. Uma mulher usando armadura negra com capa vermelha e grandes asas negras esfumaçadas segura duas espadas ensanguentadas cruzadas à frente do corpo. Seu cabelo é liso e negro, com franja, e o rosto está coberto por uma máscara prateada. Ao fundo, em tons frios de cinza, vê-se uma grande construção arquitetônica.. Fim da descrição

 

SINOPSE:
Mia agora é uma Lâmina da Nossa Senhora do Bendito Assassinato e sai em missões para exercer o seu papel – assassinar pessoas.
Além disso, ela precisa enfrentar a desconfiança daqueles que não a veem como merecedora de seu posto e também lidar com a ânsia de por os seus planos de vingança em prática.
Em meio a mistérios e suspeitas, Mia se coloca contra a Igreja Vermelha de forma sigilosa, para se vingar de Scaeva e Duomo de uma só vez.
Ela se infiltra entre os escravos afim de ser vendida a um collegium de gladiatiis para ter a chance de lutar no grande Magni e ficar frente a frente com seus inimigos.
“Conquistem seu medo, e serão capazes de conquistar o mundo”.

Nunca trema. Nunca tema.

Mia corvere continua seguindo bem as palavras da mãe nesse segundo volume da trilogia, mostrando que não é vidro nem ferro, é aço.
Mal a história começa e já nos deparamos com nosso pequeno corvo jogado em meio a uma imundice de corpos, fazendo vezes de uma filha de mercador que foi a única sobrevivente de um ataque de ladrões na estrada.
Ela é resgatada por uma mercadora de escravos, e não demoramos muito para notar que essa era exatamente sua intenção.
Como revelado na sinopse, Mia deseja ser vendida como escrava para se tornar Gladiatii e disputar no magni, jogos onde os competidores lutam até a morte e apenas um sobrevive.

Mia olhou para as ondas na água ao seu redor. Imaginou, como vinha fazendo por meses, o grão-cardeal Duomo ao alcance do seu braço, vestido apenas com os farrapos de um mendigo.
Sem catedral ao redor. Sem vestes sacras sobre os ombros. E sem trindade pendurada no pescoço.
E, ao lado dele, o cônsul Scaeva, estará à espera, com a coroa de louros na mão…

Deu para notar pelo trecho acima que essa realmente seria a oportunidade perfeita, não é mesmo?

O livro é elaborado de uma maneira bem original, mas que pode confundir um pouco no começo.
Cenas que mostram Mia em sua trajetória de escravidão rumo ao magni alternam-se com as descobertas e momentos que a garota viveu antes de decidir-se por tal estratégia;
Ou seja, nós vamos desvendando as razões por trás de suas atitudes aos pouquinhos e na mesma velocidade em que acompanhamos o desenvolvimento dos resultados destas.

Um dos homens sacou um porrete e acertou Mia nas pernas.
A garota gritou e caiu de joelhos. Dentes rangendo, as mãos manchadas de sangue cerradas. Mas ela sentiu Sr. Simpático rondar a sua sombra e sussurrar-lhe ao ouvido:
­ …quem você é, e quem você deve ser…
E assim, permaneceu no chão, com o olhar baixo, silenciosa e imóvel.

Mais sofrimento, mais dor, mais revolta. A pequena sombria continua determinada a alcançar seus objetivos: vingar os Corvere.

Se a vingança tem mãe, seu nome é Paciência.

E Mia sabe ser paciente. Pensa em cada passo, vai contra tudo o que se coloca no caminho de sua vingança.
As peças desse intrincado quebra-cabeça vão se encaixando e nos apresentando para um cenário de mentiras e manipulações que nos deixa tão sedentos por justiça quanto ela.
Nada é o que parece ser, ninguém é quem diz que é. O sangue é derramado pelas páginas sem pudor, em diversos assassinatos bem descritos em nome da deusa, ou não.
Além disso, Corvere também quer respostas sobre quem é, de onde vem seu poder. Será que ela vai as encontrarem algum momento desse percurso tão repleto de percalços?

Enquanto escrevo essas linhas me encontro no capítulo 12 deste volume, e portanto não sei seu desfecho.
Estou tão curiosa quanto vocês ao lerem esta resenha, ou até mais!

As Cinzas da República

Início da descrição: Capa do livro "Darkdown - As cinzas da república", de Jay Kristoff. Uma mulher de pele muito branca usando um vestido negro com saia volumosa segura uma espada à frente do corpo, apontando para baixo. A espada e as mãos dela estão sujas de sangue. A mulher tem cabelos negros e lisos, usa uma grande gargantilha negra, batom preto e um grande adorno dourado de cabeça em formato de meia-lua. Atrás dela, formam-se sombras negras esfumaçadas de criaturas como serpentes e um gato negro. O fundo é branco com sombras de uma ossada. . Fim da descrição

 

SINOPSE:
Nobre amigo, depois de um breve silêncio, podemos enfim voltar os olhos para a saga de nosso pequeno corvo. É certo que você deve estar curioso para saber o que aconteceu
após os eventos sanguinários que abalaram as arenas de Godsgrave.
Com o irmão caçula nos braços, Mia Corvere saboreia seu triunfo. Foi uma longa jornada até aqui. A menina assustada que presenciara o enforcamento do pai tornou-se a assassina mais temida de toda a República de Itreya.
Passados oito anos desde que começou a planejar sua vingança, Mia finalmente instaurou o caos na Cidade das Pontes e dos Ossos ao ceifar a vida do grão-cardeal e do cônsul.
No entanto, nem tudo é glória na vida da Faz-Rei. Os soldados luminatii e os servos da Igreja Vermelha estão à sua caça. Mercurio foi capturado e Mia deve salvá-lo antes que seu querido mentor pereça dentro dos muros da escola de assassinos.
Entre sua fuga e o resgate do velho, ela precisa conquistar a confiança de Jonnen, seu irmão. Pois, neste momento, o que sobrou de sua família deseja vê-la morta.
Além disso, há algo mais assombrando seu destino. Um enigma fúnebre que cresce sob Godsgrave à medida que a veratreva se aproxima: os muitos eram um e serão de novo.
Quando a noite chegar, talvez em definitivo, Mia Corvere conseguirá sobreviver num mundo em que até a luz dos sóis pode morrer?

E aí está o terceiro e último volume dessa maravilhosa saga. Como expus na resenha do livro anterior, eu ainda não terminei de lê-la, portanto usarei esse espaço para deixar minhas expectativas baseadas na sinopse registradas.
Estou muito ansiosa para ver a interação de Mia com seu irmãozinho perdido Jonnen, ainda mais por saber que ele a odeia. Como será que o garoto chegou a esse sentimento em relação a irmã? Por que tipo de lavagem cerebral foi submetido?
Além disso, depois de conferir o desenrolar de A Sombra do Corvo com fatos que me deixaram totalmente chocada, mal posso esperar para concluir toda a trilogia e ver que tipo de presente literário Jay tem para nos oferecer.
Conto com mais mortes, claro, além de respostas definitivas, ou não, para as dúvidas que assolam Mia desde o início de sua história.

Vai ser um brinde extra, quem sabe, descobrir a identidade do narrador que nos conta as aventuras da eterna moça branca.

E, contudo, tenho certeza de que ela ainda encontraria um jeito de me matar se soubesse que pus estas palavras no papel. Eu seria partido ao meio e deixado para a Escuridão faminta.
Mas penso que alguém deveria pelo menos tentar separar a garota das mentiras contadas sobre ela. Através dela. Por ela.

Tenho certeza que uma história tão bem feita como essa vai ser pano de fundo dos seus pensamentos por algum tempo, bem como será dos meus.

Conclusão:

Gostaria de agradecer a você que leu até aqui, e te dizer para que realmente leia esta saga. Não a deixe na estante, acesse a Amazon e confira todos os volumes o quanto antes.
São livros encantadores para você que aprecia narrativas bem feitas, personagens complexos e aquele toque de fantasia sobrenatural bem fundamentado.

Prepare uma bebida quente e vamos nos afogar nas palavras sobre Mia Corvere.

Você é uma filha das palavras. Uma garota com uma história para contar.

E com essa última citação fecho o textinho de hoje, com a promessa de voltar daqui há duas semanas com mais pensamentos e palavras!
Beijinhos!

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