Categoria: Guilherme Paes

[4ª Poética] Cinza – Guilherme Paes

CINZA Cinzas no cinzeiro, céu cinza o dia inteiro Finalmente a chuva cai e cala a agonia da espera Eufóricos trovões proclamam a alma liberta do cativeiro Casulo de ar frio e úmido, crisálida elétrica atmosfera Alegria nublada, inebriante neblina que desce da serra É linda a praia assim,vazia, cinza, fria As conchas  todas caladas, […]

Continue a ler

[4ª Poética] Minha casa minha vida – Guilherme Paes

MINHA CASA MINHA VIDA Como é linda minha casinhaDentro do meu peitoSó ela sozinhaNo alto do morroNa alma do vento Como é linda essa casinhaA carne e o osso das paredesA minha grama mais verdeDo que a grama da casa vizinha(Até porque só há uma casaSob o firmamento do meu corpo) Minha casinha, tão lindaToda […]

Continue a ler

[4ª Poética] Meia noite na ponte – Guilherme Paes

MEIA NOITE NA PONTE A Véia Macabéa aparece quando é meia noite de noite de lua cheia e céu riscado Na ponte da Água Branca, de vestido branco sujo e rasgado Assusta o desavisado perguntando pelo filho sumido. Pergunte na vila, peça que alguém lhe conte Da Véia Macabéa da ponte Do vestido branco sujo […]

Continue a ler

[4ª Poética] Subentendido – Guilherme Paes

SUBENTENDIDO Com uma caneta de prata Desenho argênteos versos; Pela noite disperso-os E como prisma a lua os refrata. Incidem sobre os que se perdem Na noite, a procura de si mesmos, Mas encontram somente abismos De certo e errado, de mau e bem. Com uma caneta de ouro Deito versos desidratados Em papel-maca; tomam […]

Continue a ler

[4ª Poética] Prece – Guilherme Paes

PRECE Deus, se eu lhe acreditasse Faria agora uma prece Bonita como um poema Se lhe acreditasse seria devoto Fervoroso e resoluto Do tipo que vai à missa bem cedo Antes mesmo da névoa pesada Desencobrir a cruz no cocuruto da igreja Tão cedo que entraria com todo silêncio Pra não acordar seu menino Deus, […]

Continue a ler