[4ª Poética] A Química do nosso beijo – Paulo E. C. Pereira

Meu amor, eu mesmo procurei com muito esforço
Revirei papéis da escola, até as aulas de reforço
Achar uma palavra na Química que pudesse expressar
O gostinho do teu beijo quando estamos a se beijar
Cada nome estranho para explicar a tua boca, esse puro tesouro
Não é o cobre, a prata e nem mesmo o cobiçado ouro
Fiquei feliz, então, por não ter nem mesmo nessa matéria importante
Um vocábulo sequer para o teu beijo, desejado como um diamante
E fui assim mesmo pesquisando, mas desisti e cheguei a conclusão
De que terei que inventar uma palavra, um vocábulo, uma explicação
Para um beijo com gosto de tanto sabor por uma boca tão amada
Para o qual nem a Química pode explicar com as suas palavras complicadas
O gosto de nossos beijos quando se juntam é uma química pura
Que nem o Antoine Lavoisier seria capaz de explicar tanta loucura
E na falta de uma palavra apropriada para isso explicar
Vou ter que pagar direitos autorais quando uma eu inventar
E assim, meu amor, vamos desafiando a lei da Química e sua tabela
Quando nos beijamos e desafiamos a quem possa dar nome a ela
Ela, a tua boca e a química do teu beijo, uma palavra somente

Para que todos saibam que quando nos beijamos não tem para ninguém, só dá a gente


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