[Súmula de Domingo] Os Sonhos – Ana Cristina.


Um amigo me disse: “os seus sonhos são intermináveis” eu disse que os meus sonhos eram pequenos e simples, mas depois refleti e voltei atrás.
São eles intermináveis, pois enquanto eu viver serão eles o fio invisível que me sustenta à vida.
A folha caída da árvore embora em solo seco, sonha ser adubo aos irmãos, “nada se perde tudo se transforma” Antoine Laurent de Lavoisier. Lei de Lavoisier.
Os meus sonhos são cheios de adjetivos, eles são também bem coloridos, neles cabem ruas com calçadas perfeitas, estradas sem buracos e carros passando e passeando sem pressa, sem atropelos, jardins bem cuidados com pessoas extremamente educadas, jogando seus lixos em lixeiras ou os guardando até que encontre uma próxima, este sonho abrange o mundo inteiro, pois posso estar aqui e ali que serei eu, sempre. O meu sonho então será recheado de qualidades.
Ainda dentro deles, terei um baú profundo de sentimentos, cordialidade, bondade, amizade, respeito, mas um deles será o destaque, o amor, este estará tão presente como minúsculas bolinhas de isopor que por mais que extraia sempre haverá uma grudada.  Ele será a sombra, a seta indicativa, o dedo em riste, o letreiro, o outdoor gigante, a plaquinha em cada esquina, será o lembrete de que com amor resolve-se tudo.
Neles eu poderei andar a qualquer hora pelas ruas que verei sempre famílias inteiras na praça, crianças brincando e contando estrelas deitadas na grama.
Verei delegacias e hospitais funcionando tão bem que algumas enfermeiras e policiais em suas horas de folga, poderão desfrutar de uns momentos na praça.
Posso classificar os meus sonhos de intermináveis e utópicos infelizmente. Isto porque eles, os meus sonhos, são para uns assim. Algumas pessoas deixaram de sonhar. Isso é triste, muito triste é quase um pesadelo, mas o próprio é o sonho que não deu certo, um sonho feio, então ainda há esperança. Eu já tive vários deles, que me frearam, que me puseram com bolas de ferro amarradas nos pés, mas eu me arrastei, me arrastei, até que elas se desgastaram, ainda restam as correntes, que sonho em as remover.
Então como podem ver, não posso viver sem sonhar. Por mais que sejam eles aos nossos olhos, limitados, intermináveis, loucos, impossíveis, não, eu não posso deixar de sonhar, pois tudo que quero na vida incide neles?
(Para Sigmundo Freud – os sonhos noturnos são gerados, na busca pela realização de um desejo reprimido. Para a psicanálise o sonho é o “espaço para realizar desejos inconscientes reprimidos”.) e o que dize sobre o sonho sonhado acordado? Classificaram de outra coisa.
Eu posso classificar meus suspiros, meus desejos e planejamentos de vontade, mas o que é a vontade senão um sonho em realizar tal intento.
Então eu sonho e meus sonhos são ilimitados, intermináveis, contestáveis, esnobes, loucos, inalcançáveis, brilhantes, megalômanos, fantasiosos, simples, felizes e …,mas eles são meus e me tornam uma pessoa no mundo e sendo eu vivo e sinto e canto e declamo e amo e sonho.
Ana@Cristina.

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