[4ªPoética] Aprendi a aprender – James Ribeiro



Aprendi a aprender


Aprendi a amar o nariz largo. Com um desenho impecável de ancestralidade.

Aprendi a amar o beiço que virou boca carnuda em tempos, em momentos diferentes entre amor e se entender consigo. Não precisava esconder mais, nem ligar pro tamanho.
À boca derramei amor e vi o quanto as pessoas admiravam-na.

Aprendi a amar o cabelo, dos cachos ao crespo. Do 4C ao careca. Aprendi a amar cada parte que ali existia. O corpo como templo onde quem quisesse saber, entrar ou ter rito, haveria de me pedir.

Aprendi a amar os detalhes, as estrias, os desenhos, a melanina que exalava.

Aprendi a amar cada pedaço de amor que habita num corpo. Cada traço, cada cheiro, cada gosto, cada olhar e olhos, cada minúscula essência em ser sagrado e ancestral. Cada tambor que dá ritmo ao coração.

Aprendi a amar, porque amor não me era servido. Aprendi, numa relação dura mas essencial ao que sou hoje.
Aprendi amar ser pret@! E amar tudo que envolve amar ser pret@.

Aprendi a ter mais certeza do que não quero, muito mais do que quero! E isso que me fortaleceu e me ensina cada dia mais. Aprendi a ser grato. Sou grato!
E não troco nada que tenho pela enclausura de uma estética que não me compete.

Aprendi amor, como quem não o tivesse. Aprendi que sempre tive amor, próprio e coletivo. Aprendi a praticar meu amor.
Sempre tive amor, sempre.

Aprendi como quem ensina, começo a te passar. Aprender só faz sentido no coletivo. Aprendi a acreditar mais.
Acredito em cada fagulha de amor que acontece na gente. Aprendi a não esquecer mais.

Eu aprendi a aprender!

JAMES RIBEIRO

*Mês da consciência negra

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