(Versartil) – Diálogo – Acauã Pozino

É noite. Pelas sombras de mim, vago.
Entretido
Pelas luzes da minha cidade-alma,
Pairo.
Entre bardos bárbaros e bêbados
Das tabernas da memória,
Caminho.
Entre encruzas becos e kalungas,
Desvairo.

Estaco. Entre tudo que é difuso,
Um rosto.
Entre maços e moços,
Mechas.
Entre alisura,
Mistério.

Deliro. Sem travar contato,
Sonho.
Sem usar o tato,
Toco.
Sem haver isqueiro,
Queimo-me.

Contemplo. Não me conheces,
Ainda.
Como gato sobre brasas,
Me aproximo.
Como gatuno entre casas,
Te observo.
Como observador,
Miro-te.

Estudo-te.
Desejo-te.
Admiro-te.

Me notas. Para minha desgraça, me olhas.
Morro.
Falesço e volto a vida,
Num segundo.
Como coisa desvalida,
Noutro mundo.

Sorris-me. Entro no jogo,
Aprumo-me.
Abro o peito e vês o fogo:
Assumo-me.
Vens a mim e vejo o novo:
O júbilo.

Ardemos. Nos céus da minha cidade,
O halo.
Pelos subterrâneos da (tua) língua,
Falo.
E me respondes em teu vernáculo:
O sagrado.

Unimo-nos
Para sempre

(Acauã Pozino)

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