{Versartil} – Desejos – Acauã Pozino

Queria que a força de meus braços se gastasse
Entre abraços e gestos de carinho
Entre danças e alianças no caminho
E não no esforço de abri-lo pra que eu passe.

Pra que nós passemos.

Queria que a umidade de meus lábios
Fosse gasta entre beijos e suspiros
Entre juras e truques pervertidos
E não no esforço de dar voz ao grito inato.

Ao grito nosso.

Queria que meu trato com as palavras
Se empregasse em papéis que se beijassem,
Em incêndios que de fervor não matassem
E não em notas de repúdio feito farpas.

Farpas que nos ferem.

Talvez fosse uma boa solução
Dar meu carinho e suspirar
Incendiar escrever e embelezar
A alguém que comigo fosse à luta.

Talvez.

Talvez ajudasse dividir
O esforço de a um lado abrir caminho
Enquanto nossas mãos livres nos levassem
À frente, juntes, fortes.

Talvez fosse o caso dividir o tempo
Metade dele a trocar sorrisos,
Metade o ricto fúnebre da guerra
E assim seguir em maior equilíbrio.

Talvez.

Infelizmente,
O caminho, a plenária, a coluna política,
Não esperarão até que eu me possa equilibrar.

(Acauã Pozino)

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